SAÚDE MENTAL DE ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO: UMA ANÁLISE DA PESQUISA NACIONAL DE SAÚDE DO ESCOLAR (PENSE) 2019
Palavras-chave:
Saúde mental, PeNSE 2019, IBGE, Adolescentes, Fatores de riscoResumo
A adolescência constitui um período crítico do desenvolvimento humano, caracterizado por intensas transformações emocionais, cognitivas e sociais, que podem potencializar a vulnerabilidade a transtornos mentais. Depressão, ansiedade, estresse e ideação suicida despontam como problemas recorrentes nessa fase, afetando de forma negativa o desempenho escolar, a qualidade das interações interpessoais e a percepção geral de bem-estar. Nesse contexto, este estudo buscou investigar a saúde mental de estudantes do ensino médio no Brasil, com base nos microdados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2019/IBGE). Foram analisados indicadores autorreferidos de sofrimento psíquico — incluindo isolamento social, ansiedade, tristeza, sentimentos de abandono, estresse e ideação suicida —, estratificados por sexo e faixa etária.
Os resultados revelaram prevalências consistentemente mais elevadas entre adolescentes do sexo feminino em todos os indicadores avaliados: ansiedade (59,8% vs. 41%), tristeza (44,8% vs. 17,5%), sentimentos de abandono (39,7% vs. 20%), estresse (54,6% vs. 26,7%) e ideação suicida (29,6% vs. 12,9%). Tais achados convergem com evidências nacionais e internacionais que relacionam a maior vulnerabilidade das meninas a fatores como insatisfação corporal, percepção de exclusão social, ambientes familiares disfuncionais e experiências de violência ou vitimização. Por outro lado, destacam-se fatores de proteção associados a melhores condições de saúde mental, incluindo redes de apoio entre pares, suporte parental e escolar, além da autoeficácia na regulação das emoções. A literatura especializada enfatiza que a saúde mental na adolescência é resultado da interação complexa entre variáveis individuais, sociais e estruturais, sendo insuficiente restringir-se ao tratamento individual dos sintomas. Nessa perspectiva, o presente estudo reforça a necessidade de políticas públicas e práticas pedagógicas que promovam intervenções multissetoriais, voltadas ao fortalecimento de vínculos, ao desenvolvimento de competências socioemocionais e à mitigação de fatores de risco. Ao evidenciar a magnitude e especificidade do problema entre adolescentes brasileiras, em especial do sexo feminino, este trabalho busca subsidiar estratégias de prevenção precoce e promoção integrada da saúde mental no país.
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