CONSTRUÇÃO DE MUSEU E HOTEL DE ABELHAS NATIVAS DO CERRADO APLICADOS À EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Autores

  • Guilherme da França Viana ifg@ifg.edu.br
  • Fernando Campos de Assis Fonseca ifg@ifg.edu.br

Palavras-chave:

ASF, iscas, meliponário, conservação, biodiversidade

Resumo

O Cerrado, considerado a “caixa d’água do Brasil” por abrigar importantes nascentes, é um dos biomas mais biodiversos e ameaçados do planeta. Apesar de sua relevância ecológica e socioeconômica, sofre intensamente com a expansão agropecuária, o uso de pesticidas e a urbanização desordenada, fatores que comprometem populações de abelhas nativas, fundamentais para a polinização, a manutenção dos ecossistemas e a segurança alimentar. Nesse contexto, a pergunta norteadora do presente projeto foi: como integrar ações de conservação das abelhas nativas do Cerrado a atividades de educação ambiental e de sensibilização comunitária? A justificativa do estudo reside na urgência em desenvolver estratégias de baixo custo que favoreçam simultaneamente a conservação da biodiversidade e a formação de consciência ambiental crítica. A cidade de Águas Lindas de Goiás, local de desenvolvimento do projeto, apresenta crescimento urbano acelerado, perda de cobertura vegetal nativa e escassez de políticas públicas de reflorestamento. Assim, iniciativas como a construção de hotéis de abelhas solitárias e a montagem de caixas entomológicas didáticas constituem ferramentas viáveis para aproximar ciência, educação e sociedade, valorizando o bioma Cerrado. O objetivo geral foi promover a conservação ativa das abelhas nativas e estimular práticas educativas voltadas à comunidade acadêmica e ao entorno. Os objetivos específicos incluíram: (i) construir uma caixa entomológica com exemplares de abelhas do Cerrado; (ii) instalar hotéis de abelhas solitárias no IFG – Campus Águas Lindas e em área urbana de Brasília; (iii) realizar oficinas e palestras em eventos institucionais; e (iv) sensibilizar professores e alunos como multiplicadores do conhecimento. A metodologia empregou materiais sustentáveis e de baixo custo, como madeira não tratada, rolhas, garrafas PET e atrativos naturais à base de própolis, geoprópolis e cera de abelhas. Os hotéis foram construídos com cavidades adequadas à nidificação e posicionados em locais estratégicos. As iscas foram elaboradas com garrafas adaptadas e atrativos naturais. A caixa entomológica foi organizada com espécimes doados, fixados em alfinetes entomológicos e dispostos de modo a facilitar sua utilização didática. Os resultados mostraram que não houve colonização dos hotéis no período de observação, o que evidencia limitações ambientais, como a escassez de vegetação nativa e de recursos florais no entorno. Apesar disso, o projeto alcançou avanços significativos em termos de educação e extensão: oficinas e palestras sensibilizaram a comunidade; os hotéis e iscas foram apresentados em eventos acadêmicos, despertando interesse sobre a temática; e a caixa entomológica fortaleceu o acervo didático da instituição. Além disso, a parceria com o viveiro escola municipal oferece perspectivas futuras de reflorestamento com espécies nativas, ampliando condições favoráveis aos polinizadores. Conclui-se que, embora a ausência de nidificação nos hotéis evidencie a necessidade de maior tempo de monitoramento e ajustes metodológicos, o projeto atingiu seu propósito central de integrar ensino, pesquisa e extensão. A iniciativa contribuiu para difundir conhecimentos sobre a importância das abelhas nativas, estimular práticas de conservação e fortalecer a consciência ambiental da comunidade acadêmica e local, reforçando o papel da educação ambiental como estratégia de preservação do Cerrado.

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Publicado

2026-02-13

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