MONSE: GÍRIAS E EMPODERAMENTO EM “ON MY BLOCK” (2018)

Autores

  • Letícia Amaral Vieira ifg@ifg.edu.br
  • Karine Rios de Oliveira Leite ifg@ifg.edu.br
  • Thiago André Rodrigues Leite ifg@ifg.edu.br

Palavras-chave:

“On my block”, Monse, gírias, empoderamento, feminismo negro

Resumo

A série “On my block” (2018) estrutura-se aos moldes das características típicas de séries para o público juvenil, com personagens, temas e conflitos próprios. Embora questões sobre sexismo, machismo e racismo, que são estruturas de opressão e dominação combatidas pelo feminismo, não sejam abordadas centralmente na narrativa da série, podem ser entrevistas ao observarmos especificamente vivências de Monse, a garota protagonista de um grupo de amigos. Monse é uma adolescente negra e periférica, considerada heroína por, entre outras razões, incentivar o grupo a se superar. Sendo uma série teen, com vistas à certa verossimilhança, apresenta, de modo geral, empregos de gírias, as quais são uma manifestação linguística informal, de caráter “criptográfico”, própria a grupos restritos. Optamos por analisar esses empregos por parte da protagonista, entendendo que reflete o empoderamento da garota. Logo, interessou-nos analisar como as gírias ditas por ela podem indiciar vestígios de empoderamento. Para tanto, tivemos como aportes teóricos estudos linguísticos e do feminismo negro, mobilizando principalmente aspectos relativos à gíria, como um funcionamento de caráter de linguagem especial; e ao empoderamento, como um movimento individual e coletivo de afirmação de potencialidades e luta contra opressões. Tivemos como material de análise a série “On my block”, e, como objeto de estudo, as gírias produzidas por Monse ao longo da série. Foram identificadas e registradas essas gírias, as quais foram contextualizadas em termos de condições sociais em que emergiram, havendo posterior composição do corpus. Considerando o fato de as gírias ocorrerem, predominantemente, em circunstâncias informais, privadas e, em alguma medida, marginais, identificamos outros sentidos possíveis para elas, além dos atribuídos na legenda pela própria equipe tradutora. Nessa perspectiva, assistindo à série, com áudio em inglês e com a legenda ora em português, ora em inglês, recortamos sequências linguísticas em que uma gíria ou expressão giriática tenha emergido em dizeres de Monse. Além de utilizarmos, para consultas, análises e estudos, livros sobre gírias em língua inglesa e seus principais modos de emprego, construímos outros sentidos possíveis, os quais permitem entrever maior visibilidade ao empoderamento da personagem, sentidos esses que talvez tenham sido preteridos na tradução, já que esta é apenas um recorte de possibilidades. Constatamos que os empregos de gírias pela protagonista, no contexto em que emergem, indiciam a transgressão a lugares sociais e linguísticos regularmente atribuídos à mulher (negra) na sociedade patriarcalista, machista, racista; expressam gestos de empoderamento da protagonista, a qual reage contra padrões estéticos e comportamentais, promovendo rupturas e vivenciando práticas sociais e linguísticas libertadoras relacionadas ao empoderamento. Diante do exposto, este trabalho se justificou pela possibilidade de, analisando manifestações linguísticas (gírias), pensarmos a possibilidade do empoderamento, como movimento individual e coletivo necessário. Ademais, porque, conforme compreendemos, se o ambiente escolar pode, de um lado, ser concebido como um microcosmo da sociedade, podendo ressoar/reverberar preconceitos e discriminações, pode, por outro, ser espaço potente para a desconstrução disso e para o combate a formas de desigualdade e segregações, endossando a luta feminista.

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Publicado

2026-02-13

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