Nem toda beleza será punida: a trajetória trágica de corpos femininos na mitologia grega, em contos maravilhosos e na literatura moderna escrita por mulheres
Palavras-chave:
Beleza, Mulher, Violência, Corpo feminino, LiteraturaResumo
O tema da beleza, há muito, é discutido no mundo ocidental. Platão e Aristóteles talvez tenham sido os primeiros a promoverem discussões mais profundas sobre o assunto. Depois deles, muitos outros foram os estudiosos que se debruçaram sobre a temática, mas é possível dizer que sobre a beleza, seja ela física ou artística, existe ainda muito a se dizer, pois tal conceito e seus impactos na sociedade continuam sendo fonte de importantes discussões e questionamentos. Apesar das grandes lacunas existentes no campo da discussão sobre a beleza, há algumas questões indiscutíveis e uma delas é a relação direta entre beleza e corpo feminino. Ao longo do tempo, as mulheres foram vítimas do conceito de beleza, e essa relação encontra-se registrada em forma de discurso expresso nas narrativas de diferentes gêneros criadas pela sociedade, no caso, uma sociedade regida e comandada por homens. Nessas histórias, nos deparamos com inúmeras violências, punições e desrespeito ao corpo feminino, principalmente contra corpos femininos belos. Em face dessas diversas trajetórias trágicas, é possível perceber como a beleza, apesar de cultuada pelo olhar masculino, acaba sendo motivo de punição e castigo contra o corpo feminino. Em mitos, lendas, contos e até músicas tradicionais, o corpo belo tão desejado, em muitos casos, é desrespeitado, violentado ou punido, fazendo com que a dádiva da beleza possa ser entendida como um presente e, ao mesmo tempo, um peso para a mulher. Buscando discutir e refletir sobre o tema da beleza e de seu impacto sobre o corpo feminino, propusemos este projeto de pesquisa que buscou analisar narrativas míticas (Medusa, Hera, Atena, Filomela, Perséfone, Afrodite), contos maravilhosos ("Bela adormecida", "A bela e a Fera", "Cinderela") e dois referenciais modernos, as novelas O abraço e Sapato de salto, de Lygia Bojunga nos quais os corpos femininos belos vivenciam destinos trágicos. Por meio desta pesquisa, levantamos algumas questões e reflexões sobre a condição feminina ontem e hoje, comparando aquelas narrativas que foram feitas no passado, e que são fruto de uma consciência artística masculina, com narrativas atuais criadas no presente e escritas por mulheres. Em tal processo de comparação, buscamos conceder maior atenção às narrativas nas quais a própria mulher escritora aborda sua realidade social, podendo expressar como entende sua beleza e como, por meio dela, performa sua feminilidade, rompendo com a tradição patriarcal de punir ou possuir de modo forçado o corpo feminino belo. Esta pesquisa promoveu uma leitura analítica de narrativas míticas, de contos maravilhosos e de textos atuais nos quais nos debruçamos sobre o destino trágico de personagens femininas que, por serem belas, sofreram algum tipo de punição/violência. Refletimos sobre o valor cultural da beleza, da representação dela expressa pelo corpo feminino e de como, no decorrer do tempo, tal beleza aparece, de diferentes modos, punida ou violentada.
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