Doenças Venéreas: Tratamentos e Terapêuticas na Capitania de Goiás (1770 – 1822).

Autores

  • Leandro Carvalho Damacena Neto ifg@ifg.edu.br
  • Allexandre Gomes da Silva ifg@ifg.edu.br

Palavras-chave:

Doenças Venéreas, Capitania de Goiás, Medicina Mestiça, Tratamentos e Terapêuticas

Resumo

A presente pesquisa consolida sua fundamentação teórica no campo historiográfico da História da Saúde e das Doenças, o principal objetivo foi investigar as concepções, tratamentos e impactos sociais das doenças venéreas no contexto específico da Capitania de Goiás em fins do século XVIII e início do século XIX. O trabalho baseou-se em extensa revisão teórico-metodológica e na pesquisa documental em arquivos históricos da Cidade de Goiás. A fundamentação teórica foi embasa pelo diálogo com autores referências do campo da História da Saúde e das Doenças, tais como Charles Rosenberg – representações sociais e culturais das doenças -, Jean Abreu – saber médico luso-brasileiro -, Vera Lúcia Beltrão Marques -, práticas de cura e farmacopeia das boticas e boticários -, Carla Almeida -, conceito de “medicina mestiça”. Metodologicamente, seguiu-se “os caminhos” delineados pelos historiadores Carlo Ginzburg e Roger Chartier para análise crítica dos documentos históricos a partir do “paradigma indiciário”, empregamos técnicas de paleografia e arquivologia para compreensão e interpretação dos documentos manuscritos pesquisados. Os resultados esperados, com base na análise já realizada e no acervo documental identificado, chegamos nos seguintes resultados, todavia, compreendemos ainda como resultados “parciais”, pois a pesquisa necessita de continuidade e desdobramentos na busca de documentações nos arquivos históricos e no desdobramento analítico das documentações. Nesse primeiro momento, realizamos alguns mapeamentos de algumas doenças que grassava mais frequentemente na Capitania de Goiás no final do século XVIII e início do século XIX, tais como: Morbo Gálico – Sífilis -, gonorreia, cancro mole, cancro duro, chagas gálicas, bulbão entre outras. Na análise da etiologia atribuída a essas doenças, temos algumas hipóteses que necessita de desdobramentos analíticos associando as doenças venéreas com concepções morais, religiosas, vistas como “castigo divino” ou fruto de “comportamentos desregrados”. Tivemos acesso à documentação “Livro de Receitas de Remédios” do cirurgião-mor do Real Hospital Militar de Vila Boa, Lourenço Antônio da Neiva, na análise preliminar do receituário de remédios aplicado nos tratamentos das doenças, percebemos: a ênfase em tratamentos à base de mercúrio, como fricções ou fumigações para o morbo gálico – sífilis -, herdados da tradição das artes de curar europeia. Identificamos a incorporação de saberes locais – povos originários -, na farmacopeia e no preparo de medicamentos por boticários, através do uso de plantas medicinais e substâncias da flora regional, esperamos demonstrar no desdobramento da pesquisa a prática de uma “medicina mestiça” em Goiás. A circulação de saberes e práticas de cura: europeia, americana, africana e asiática no que tange conforme Gruzinski (2014), a ideia de “Mundialização” dos saberes, das culturas e dos povos. Ressaltando que a Capitania de Goiás estava inserida no Império Português que abrangia conquistas na América, África e Ásia.

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Publicado

2026-02-13

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