O impacto de dinâmicas de descolonização no ensino das Ciências Sociais brasileiras: um diagnóstico de currículos, ementas e programas

Autores

  • Ícaro Maia Mendonça ifg@ifg.edu.br
  • Mariana Toledo Ferreira ifg@ifg.edu.br

Palavras-chave:

eurocentrismo, decolonialidade, currículo, Lei de cotas

Resumo

O estudo apresentado analisa os Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs) das licenciaturas em Ciências Sociais dos câmpus Formosa e Anápolis do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG), tendo como foco a relação entre as transformações advindas da Lei de Cotas e a permanência de currículos marcados pelo eurocentrismo e colonialismo. A pesquisa parte do entendimento de que a ampliação do acesso de grupos historicamente minorizados às universidades brasileiras, embora constitua um avanço significativo, não se traduz automaticamente em mudanças estruturais no ensino e na produção de conhecimento. Metodologicamente, o trabalho combina análises quantitativas, como a frequência de autorias não-brancas nas ementas, e qualitativas, como a escolha de textos de determinados autores em detrimento de outros. Os resultados evidenciam a predominância de referências euro-norte americanas nos currículos, tanto em Sociologia quanto em Antropologia, relegando autores brasileiros a disciplinas específicas, como Pensamento Social Brasileiro. Além disso, há notável invisibilidade de autorias femininas, que representam menos de 5% das referências, aparecendo frequentemente em papéis secundários. A análise sustenta-se em referenciais
teóricos que discutem o racismo epistêmico (Bernardino-Costa e Borges, 2021), o eurocentrismo (Alatas e Sinha, 2017, 2023) e a dependência acadêmica (Hountondji, 1990), apontando que a universidade brasileira permanece atravessada por práticas que silenciam cosmologias negras e indígenas. Nesse contexto, políticas de ações afirmativas são vistas como fundamentais, mas insuficientes, quando não acompanhadas de uma reestruturação curricular que promova a justiça cognitiva e o alargamento do cânone. Conclui-se que romper com o modelo vigente exige mais do que a mera inclusão de novos sujeitos no espaço acadêmico. É necessário repensar a forma de ensino da teoria sociológica, contextualizando-a criticamente e dialogando com produções não-ocidentais. Assim, a proposta de uma universidade decolonial implica tanto reconhecer os limites do modelo atual quanto abrir
espaço para pesquisas que valorizem experiências locais e diversifiquem os referenciais teóricos que sustentam a formação docente em Ciências Sociais.

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Publicado

2026-02-13

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