POLÍTICAS DE AÇÃO AFIRMATIVA DE ACESSO E PERMANÊNCIA AO ENSINO SUPERIOR NO IFG/ANÁPOLIS
Palavras-chave:
Educação, Políticas públicas, Ação afirmativa, Permanência estudantilResumo
Essa pesquisa investiga o papel das políticas de ação afirmativa no acesso, permanência e inclusão de estudantes no ensino superior, tomando como objeto o campus Anápolis do Instituto Federal de Goiás. A justificativa da pesquisa parte do reconhecimento de que, embora as políticas de cotas ampliem o acesso, ainda persistem desigualdades sociais, econômicas, étnico raciais e de gênero que comprometem a trajetória acadêmica, especialmente no contexto da razão neoliberal que aprofunda a marginalização de grupos
vulneráveis. O estudo, de natureza quali-quantitativa, exploratória, descritiva e explicativa, desenvolveu-se em duas etapas: análise estatística de dados fornecidos pela CORAE sobre ingressantes por cotas entre 2011 e 2024, utilizando o software RStudio para tratamento e visualização, e realização de entrevistas semiestruturadas com estudantes beneficiários, analisadas segundo
a metodologia de Bardin. Os resultados quantitativos revelaram que, dos 399 ingressantes por cotas, a taxa geral de evasão foi de 45,1%, sendo mais elevada nos cursos de licenciatura e em Logística, e que a taxa de concluintes foi baixa, destacando-se disparidades entre cursos e categorias de cotas; estudantes PPI apresentaram índices de conclusão superiores aos oriundos de escola pública em geral, mas o grupo de estudantes com deficiência foi o mais crítico, sem nenhum concluinte. A análise qualitativa revelou fragilidades no acesso à informação sobre políticas institucionais, dificuldades de permanência devido à burocracia e insuficiência de auxílios, e acolhimento desigual: professores foram percebidos como parceiros, mas a estrutura administrativa foi apontada como falha e distante. Os relatos também evidenciaram demandas específicas de gênero, como suporte a mulheres trabalhadoras e mães, e a necessidade de políticas mais sensíveis às múltiplas vulnerabilidades. De acordo com os dados no IFG/Anápolis, as ações afirmativas cumprem parcialmente sua função: garantem o ingresso, mas não asseguram, de modo suficiente, a permanência e a conclusão. Assim, torna-se necessário fortalecer os mecanismos de assistência estudantil, ampliar e desburocratizar auxílios, aprimorar a comunicação institucional e adotar práticas pedagógicas inclusivas capazes de transformar o acesso formal em inclusão efetiva.
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