CIÊNCIA E RELIGIÃO EM DIÁLOGO: O QUE PENSAM OS LICENCIANDOS EM BIOLOGIA?
Palavras-chave:
Multiculturalismo, visões de mundo, formação de professores, ensino de ciências.Resumo
O relatório apresenta uma pesquisa realizada no Instituto Federal de Goiás – Campus Formosa, no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), que investigou como estudantes do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas percebem a relação entre ciência e religião. O estudo teve como objetivo identificar quais modelos de interação entre esses campos — conflito, independência, diálogo ou complementaridade — são mais adotados pelos licenciandos, além de analisar se fatores como gênero, religiosidade, escolaridade familiar e posicionamento político influenciam essas percepções. A metodologia envolveu a aplicação de um questionário adaptado de um projeto anterior, com variáveis sociodemográficas, religiosas e de interesse científico, cujas respostas foram analisadas por meio de estatística descritiva com o auxílio do software Jamovi. Participaram 43 estudantes, que responderam de forma anônima. Os resultados indicaram que tanto homens quanto mulheres demonstram elevado interesse pela ciência, sendo que as mulheres apresentaram maior concentração de respostas em “muito interesse”. Também foi observado interesse significativo pela religião, especialmente entre os estudantes cristãos (católicos e evangélicos). A maioria dos licenciandos não percebe ciência e religião como campos em conflito, adotando majoritariamente posturas de diálogo ou complementaridade. As mulheres tendem a valorizar mais o diálogo, enquanto os homens se aproximam da ideia de complementaridade. Poucas respostas se enquadraram no modelo de conflito. Esses achados revelam que, mesmo sendo religiosos, os estudantes não veem necessariamente incompatibilidade entre ciência e religião, o que demonstra abertura ao diálogo e à integração de diferentes visões de mundo. No entanto, o estudo também aponta o desafio de como esses futuros professores irão articular essas compreensões em sala de aula, especialmente ao abordar temas considerados polêmicos, como a origem da vida e a teoria da evolução. A pesquisa reforça a importância de uma formação docente que promova o respeito à diversidade, o pensamento crítico e a capacidade de lidar com diferentes perspectivas no ensino de ciências.
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