CIÊNCIA E RELIGIÃO EM DIÁLOGO: A VISÃO DOS ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO

Autores

  • Rafael Nobrega Pereira ifg@ifg.edu.br
  • Camila Fernandes Arbués de Castro ifg@ifg.edu.br
  • Geraldo WITEZE JR. ifg@ifg.edu.br
  • Daniel Ordine Vieira Lopes ifg@ifg.edu.br

Palavras-chave:

Opinião de estudantes, multiculturalismo, visões de mundo, ensino de ciências

Resumo

O projeto teve como objetivo investigar como estudantes do ensino médio percebem a relação entre ciência e religião, considerando fatores como religiosidade e posicionamento político, com vistas a promover reflexões críticas no ensino de ciências. A pesquisa foi desenvolvida no Instituto Federal de Goiás (IFG), utilizando questionários anônimos aplicados a 103 estudantes, além da análise de obras e artigos científicos que abordam o histórico e os modelos de interação entre ciência e religião. A motivação partiu da necessidade de compreender como essas visões influenciam o aprendizado de temas científicos sensíveis, como a origem da vida, a cosmologia e a teoria da evolução, contribuindo para práticas pedagógicas mais inclusivas e contextualizadas. Os resultados indicam que as crenças pessoais e o espectro político dos estudantes influenciam significativamente suas interpretações sobre o diálogo ou conflito entre ciência e religião. Participantes que atribuem maior importância à religião tendem a enxergar complementaridade entre os dois campos, enquanto aqueles que valorizam menos a fé
tendem a perceber separação ou oposição. A análise foi enriquecida por modelos teóricos como os propostos por Denis R. Alexander, especialmente o modelo da complementaridade, que se mostrou útil para promover uma abordagem crítica sem reforçar dicotomias. Além disso, o estudo revelou que muitos estudantes, mesmo os mais religiosos, demonstram abertura ao diálogo e valorização da ciência, embora também tenham sido identificadas visões de conflito. A pesquisa reforça que o ensino de ciências deve considerar os valores, crenças e experiências dos alunos, promovendo um espaço de escuta ativa e reflexão, capaz de integrar diferentes visões de mundo. Ao invés de evitar temas potencialmente polêmicos, como evolução e origem do universo, o professor pode utilizar essas questões como oportunidade para desenvolver o pensamento crítico e a compreensão sobre a natureza da ciência. Assim, a escola se fortalece como espaço de formação cidadã e científica, capaz de lidar com a diversidade de visões presentes na sociedade contemporânea e de promover uma educação mais dialógica, respeitosa e significativa.

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Publicado

2026-02-13

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