PROJETOS DE VIDA: FUNDAMENTOS E CONTEÚDOS INDUTORES

Autores

  • Vaniele da Conceição Aparecida Lourenço ifg@ifg.edu.br
  • Karla Ferreira Dias Cassiano ifg@ifg.edu.br

Palavras-chave:

Projetos de Vida, PNLD, Reforma do Ensino Médio

Resumo

O contexto de implementação da Reforma do Ensino Médio e da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) evidenciou efeitos pedagógicos e administrativos na dinâmica escolar, com destaque para a centralidade dos Projetos de Vida (PV), cuja primeira publicação no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD/2021) marcou um momento histórico de implementação da Reforma do Ensino Médio. Este trabalho apresenta resultados de uma investigação que buscou compreender quais são os fundamentos e os conteúdos indutores da metodologia dos PV enquanto componente curricular planejado, supostamente, para promover o desenvolvimento integral e da autonomia dos estudantes. A pesquisa qualitativa do tipo documental foi realizada com base na Abordagem do Ciclo de Políticas de Ball (1992), considerando como referência os livros didáticos em formatos de PV, objeto 1 do PNLD/2021, inseridos no contexto da produção de textos curriculares para implementação da Reforma. Os dados foram agrupados em três categorias: 1 – Aspectos do Mundo do Trabalho; 2 – Componentes do Percurso Profissional; 3 – Conteúdos Relacionados à Ciência e Tecnologia. Com relação aos aspectos relativos ao mundo do trabalho (categoria 1), nota-se que os fragmentos textuais apresentam a “escolha” como elemento determinante da profissão, enfatizam as relações diretas entre estudo e trabalho, os processos e expectativas profissionais, bem como apontamentos sobre adaptação e desenvolvimento no mercado de trabalho, história, cultura do trabalho e tipos de profissões. Na categoria 2 destacam-se fragmentos que indicam os elementos que devem compor o percurso profissional, como: “autenticidade e resistência nas decisões pessoais”; abertura para novas perspectivas; planejamento e organização dos objetivos; “protagonismo” e “escolhas de vida”; “inteligência emocional e desenvolvimento”; cuidado com o coletivo. Por fim, na categoria 3, identificou-se centralidade em preceitos relativos à inovação e ao impacto tecnológico, cuidado com o meio ambiente, relação ciência e bem-estar, responsabilidade e segurança na internet, além de atividades focadas no exercício da comunicação e interatividade com o uso da tecnologia. A análise crítica revelou que os PV promoveram uma visão normativa da educação, medindo o sucesso pela empregabilidade e competência técnica, enquanto a ênfase na autonomia e no autogerenciamento impõe pressão aos estudantes, muitas vezes de forma desconectada às suas condições socioeconômicas e do apoio institucional. Temas contemporâneos, como sustentabilidade, inovação tecnológica e cidadania digital foram incorporados como forma a reforçar adaptação e conformidade às expectativas externas, limitando a construção de PV autênticos. Os PV propostos pelo PNLD/2021 reproduzem práticas que reforçam desigualdades sociais e econômicas, naturalizando a responsabilização individual e priorizando a preparação para o mercado de trabalho em detrimento da formação crítica, criativa e emancipatória. Conclui-se, portanto, que os conteúdos dos PV (PV) atuam como instrumentos indutores de controle e mercantilização da educação, deslocando a responsabilidade social para o indivíduo e consolidando a ideia de “cidadão trabalhador” em detrimento do sujeito crítico, socialmente consciente e emancipado. Assim, considera-se que a abordagem de temas contemporâneos por meio dos PV propostos exigem reflexão sobre políticas e práticas pedagógicas de modo a evitar a reprodução das desigualdades e a limitação do potencial crítico dos estudantes.

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Publicado

2026-02-13

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