A IDEOLOGIA MATERIALIZADA NA PALAVRA GENOCÍDIO: PRESIDENTE LULA, SOCIEDADE E DISCURSOS CONTRADITÓRIOS.

Autores

  • Arthur Teixeira de Sousa Silva ifg@ifg.edu.br
  • Ema Marta DUNCK-CINTRA ifg@ifg.edu.br

Palavras-chave:

Formação discursiva, Ideologia, Polifonia, Genocídio

Resumo

A pesquisa teve como objetivo desvelar os efeitos ideológicos que a palavra Genocídio aciona. Pautou-se no entendimento de que a enunciação é mais do que simplesmente falar palavras em um contexto social; é um ato comunicativo que implica a interação entre os interlocutores, ativando discursos passados e futuros que, na sua materialidade, apresentam conflitos de diferentes projetos de socialidade. Fato observado na palavra genocídio que provocou vários efeitos de sentido a partir da fala do presidente Lula quando se referiu ao conflito entre Israel
e Palestina: “na Faixa de Gaza não está acontecendo uma guerra, mas um genocídio” (18/02/2024). Para isso foi feita uma pesquisa de abordagem qualitativa, revisão bibliográfica e Análise do Discurso (AD) sobre artigos de opinião, em que a palavra genocídio foi utilizada e que foram produzidos num intersơcio de vinte e quatro horas após o pronunciamento do presidente do Brasil. A escolha desse gênero está pautada sobre o fato de que o dizer se assenta na escolha de determinado gênero, e que o “modo de enunciação remete ao lugar da enunciação”. A pergunta que moveu a pesquisa foi identificar se os articulistas, uƟlizando-se de determinado lugar social que os orientou para sua atividade enunciativa, materializaram as representações ideológicas da palavra genocídio por meio de estratégias discursivas, imaginando aquilo que seu interlocutor espera dele e o que ele deseja transmitir. Além disso, os resultados demonstraram que não há só uma atividade do enunciante ao produzir o seu texto, mas aparece a formação social em que o texto circula, confirmando a natureza dialógica do discurso que ocorre em contextos extralinguísticos. Isso leva à sala de aula, pois a prática pedagógica deve ser de tal forma que o estudante perceba que a língua não é só comunicação, mas uma possibilidade de se apropriar do contexto social, agindo sobre ele numa prática libertadora, pois a educação pode ser a prática da liberdade, puma vez que, sendo pautada na ação dialógica, substitui o autoritarismo histórico pelo diálogo democrático nos diferentes contextos de vida, sendo a interação o princípio fundador tanto da linguagem como da consciência.

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Publicado

2026-02-13

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