LINGUAGEM E DECOLONIALIDADE: UMA ANÁLISE DOS PPCs DOS CURSOS TÉCNICOS INTEGRADOS AO ENSINO MÉDIO DO INSTITUTO FEDERAL DE GOIÁS/CAMPUS GOIÂNIA

Autores

  • Fabrícia Nayara Barreto da Silva ifg@ifg.edu.br
  • Ema Marta DUNCK-CINTRA ifg@ifg.edu.br

Palavras-chave:

Linguagem, Currículo, Colonialidade, Pedagogia decolonial, Diversidade lingu´ística

Resumo

As violências decorrentes da colonização ainda são fortemente refletidas na sociedade atual, manifestando-se por meio da colonialidade do poder, do saber e do ser que atravessam diversos espaços da vida coƟdiana. No contexto da colonização, os povos originários foram desumanizados, silenciados, apagados e colonizados com a imposição violenta da cultura europeia, como ocorreu no Brasil por meio da coroa portuguesa. Esse processo resultou na destruição das identidades individuais e coletivas, configurando um etnocídio que apagou mais de mil línguas e 12 mil anos de história indígena. A história desses povos foi descrita por uma narrativa eurocêntrica artificial, que ainda hoje se perpetua nos currículos escolares e em outros contextos sociais. Considerando o espaço escolar como fundamental na construção de saberes e, à luz da Lei 11.645/08, que obriga o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena na educação básica, desenvolveu-se uma pesquisa com o objetivo de verificar, a partir do recorte temático indígena, com foco na Língua Portuguesa/Literatura, mas também com um olhar sobre todas as áreas do conhecimento, em que medida a colonialidade ainda se manifesta nos Projetos Pedagógicos Curriculares dos cursos Técnicos Integrados ao Ensino Médio ofertados pelo IFG/Campus Goiânia. O estudo teve abordagem qualitativa, de natureza exploratória, com revisão bibliográfica e pesquisa documental. Para fundamentar a discussão, foram mobilizados autores representativos, entre eles muitos autores indígenas, que discutem sobre linguagem, colonialidade, decolonialidade e diversidade linguística. A análise dos dados apontou para a necessidade de revisão dos currículos conforme a legislação vigente, visando a um ensino que promova tanto o esclarecimento histórico sob a perspectiva dos colonizados quanto o reconhecimento dos 279 povos indígenas brasileiros, suas línguas e seus saberes. Além disso, como contribuição da pesquisa, apresenta-se algumas possibilidades práticas de implementação da discussão decolonial acerca dos povos originários nos campos da gramática e literatura, com vista a garantir a aplicabilidade para outros estudantes e professores que estejam começando a se inteirar dessa discussão e venham a ter acesso ao material. O que se espera é que as narrativas sobre o Brasil e sua população, que é diversa e plural, possam ser
reescritas sob a perspectiva daqueles que historicamente foram silenciados, apagados, desumanizados.

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Publicado

2026-02-13

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