Carta do leitor e o processo de construção da argumentação

Autores

  • Sthefany de Sousa Santana ifg@ifg.edu.br
  • Paula Franssinetti de Morais Dantas Vieira ifg@ifg.edu.br

Palavras-chave:

Carta do leitor, argumentação, gêneros discursivos, posicionamento, ensino

Resumo

Esta pesquisa tem como objetivo analisar o gênero discursivo carta do leitor, considerando a construção da argumentação e o posicionamento dos sujeitos diante de questões sociais de relevância pública. A escolha pelo gênero se justifica por sua função de espaço de manifestação de opiniões no campo jornalístico-midiático, o que o torna relevante tanto para compreender as práticas sociais de linguagem quanto para refletir sobre seu potencial pedagógico. O estudo foi desenvolvido a partir de uma abordagem qualitativa e bibliográfica, fundamentada em autores como como Adam (2019), Bakhtin (1999; 2011), Dolz e Schneuwly (2004), Fiorin (2015), Koch (2015) e Marcuschi (2007), e que permitem compreender a carta do leitor como um gênero situado social e ideologicamente, no qual a argumentação é mobilizada como prática persuasiva em situações concretas de comunicação. O corpus de análise foi constituído por três cartas publicadas em diferentes periódicos: O Popular, Revista Piauí e Carta Capital, que abordam, respectivamente, os temas da violência contra a mulher, do sistema bancário  brasileiro e do conflito Israel-Palestina. A análise foi realizada com base em categorias como estrutura argumentativa, marcas de autoria, recursos linguísticos e efeitos de sentido, observando como os sujeitos se posicionam e constroem sua voz social. Os resultados mostraram que as cartas analisadas acionam estratégias argumentativas distintas: na primeira, predominam recursos valorativos, repetições e metáforas que reforçam o apelo à ação contra a violência de gênero; na segunda, a crítica ao sistema bancário é intensificada pelo uso da ironia e pela recuperação da memória histórica; e na terceira, o debate político é marcado por analogias históricas de forte carga simbólica. Constatou-se que a carta do leitor não se limita à expressão individual, mas se constitui como prática discursiva de intervenção social, capaz de mobilizar reflexões críticas e engajar leitores nos debates públicos. Conclui-se, ainda, que esse gênero representa um instrumento pedagógico relevante, por favorecer a aprendizagem da argumentação e a formação de leitores críticos, produtores de sentidos e participantes ativos da vida social.

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Publicado

2026-02-13

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