Mangás japoneses e seus horizontes para o letramento politécnico no ensino médio (integrado)

Autores

  • Ana Luiza Pereira da S. Teixeira ifg@ifg.edu.br
  • Daniella de Souza Bezerra ifg@ifg.edu.br

Palavras-chave:

Educação politécnica, letramento anticapitalista, mangás, Institutos Federais

Resumo

Partindo da base teórica marxiana sobre a relação entre infra e superestrutura, bem como o aprofundamento althusseriano acerca do modus operandi do Estado- enquanto instrumento de opressão da classe trabalhadora- mediante aparelhos responsáveis pela internalização e legitimação das manifestações opressoras do capital, dentre os quais, as instituições de ensino. Nesse contexto, e sob a égide da compreensão gramsciana de escola unitária, revela-se a imprescindibilidade histórica de uma educação politécnica, i.e, uma educação comprometida com a formação omnilateral (integral, multidimensional) de pessoas, e em razão disso, se contrapõe à lógica do Capital, por meio da garantia de uma formação cultural humanística geral e universal, que possibilite a superação da dicotomia entre trabalho manual e intelectual. Outrossim, reconhece-se os Institutos Federais como política pública estratégica de resistência e de construção de uma possível contrahegemonia pela via da integração do trabalho com a ciência e a tecnologia, mediando o conhecimento e o processo produtivo para o desenvolvimento do indivíduo. Nesse horizonte, o objetivo deste estudo consistiu em investigar as potencialidades dos mangás- histórias de quadrinhos (HQs) nipônicos, como artefatos cultura-literários capazes de fomentar, graças à imersão em narrativas, especificamente, anticapitalistas, as experiências catárticas próprias de uma educação na perspectiva politécnica. De mais a mais, a escolha pelos mangás decorre de sua ampla circulação no Brasil e no mundo, de sua forte inserção no cotidiano juvenil e de sua capacidade de articular elementos estéticos, narrativos e políticos que possibilitam compreensões e discussões complexas sobre contradições sociais, econômicas e culturais forjadas no sociometabolismo do capital. Para tanto, o caminho investigativo se assenta sob uma abordagem qualitativa, com enfoque materialista-histórico, cujos materiais foram gerados, a priori, a partir da análise sobre seis mangás de grande popularidade – Naruto, One Piece, Alita: Battle Angel, Fullmetal Alchemist, Attack on Titan e Zom 100. A análise buscou identificar categorias centrais relacionadas à alienação do trabalho, à luta de classes, ao controle ideológico, à exploração imperialista e à formação de sujeitos críticos. Os resultados apontam que as narrativas investigadas revelam críticas complexas às estruturas sociais capitalistas, evidenciando processos de exploração, resistência coletiva e construção de alternativas emancipatórias, além de apresentarem personagens que enfrentam dilemas éticos e coletivos, o que estimula nos estudantes reflexões sobre solidariedade, ética, opressão e transformação social. Conclui-se que os mangás, enquanto objetos culturais, apresentam características privilegiadas para ilustrar a teoria crítica e servir como recurso pedagógico em uma educação politécnica, contribuindo para o letramento crítico, para a formação da consciência de classe e, por extensão, para a emancipação humana, consolidando-se como instrumentos de enfrentamento à hegemonia capitalista.

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Publicado

2026-02-13

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