AFETOS E SENSIBILIDADES EM FAMÍLIAS MULTIESPÉCIE: Relações entre humanos e animais domésticos em Jataí - GO

Autores

  • Letícia Gabrielly Alves Rolim ifg@ifg.edu.br
  • Gabrielly Cristie Cabral Santos ifg@ifg.edu.br
  • Manoel Napoleão Alves Oliveira ifg@ifg.edu.br

Palavras-chave:

famílias multiespécie, afetos, sensibilidades, cuidado, sociabilidade

Resumo

Este relatório discute as relações afetivas e de sociabilidades em famílias multiespécie (famílias que têm como integrantes não apenas pessoas, mas também pet’s, cães e gatos), tomando como base observações e entrevistas realizadas em duas famílias de Jataí–GO. Nas últimas décadas, o conceito de família vem sendo expandido para além do reconhecimento da convivência entre humanos, abrangendo também animais domésticos. Esse fenômeno é compreendido a partir da ideia de famílias multiespécie, nas quais os animais deixam de ocupar a posição de meros companheiros para assumir papéis centrais na dinâmica afetiva, simbólica e até mesmo jurídica dos lares. O estudo parte da noção de afeto e sensibilidade como dimensões centrais na representação dos ambientes familiares e domésticos, evidenciando como os animais deixam de ser considerados propriedade e passam a ser reconhecidos como membros da família. A eles é reconhecido o status de agentes com personalidade própria e até mesmo espiritualidade. O ambiente da casa é adaptado para conforto e bem-estar mútuo, refletindo uma visão que rompe com a ideia tradicional de “bicho de estimação” e se aproxima do conceito de “família multiespécie”. A análise revela que os afetos e sensibilidades desempenham papel central na construção dessas famílias. Mais do que a posse de animais, trata-se de vínculos que mesclam cuidado, responsabilidade, reconhecimento simbólico e reorganização das rotinas. A crença na alma e na reencarnação dos animais orienta práticas de cuidado, luto e acolhimento, baseadas em empatia, amor e respeito. Como eles mesmos afirmam, não veem os animais como “pets”, mas como parte da família. Foi utilizada a metodologia de tipo etnográfica com várias visitas para se observar as relações entre tutores e pet’s, revelando as diferentes formas de organização da vida cotidiana, do cuidado e do reconhecimento dos animais, destacando nestas relações a influência de gênero, idade, condições financeiras e tipo de moradia. Conclui-se que os vínculos interespécie não apenas revelam novas sensibilidades e formas de pertencimento, mas transformam a própria noção de família.

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Publicado

2026-02-13

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