TEORIA CRÍTICA FRANKFURTIANA, CONSERVADORISMOS NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA E (DE)FORMAÇÃO HUMANA
Palavras-chave:
Teoria Crítica frankfurtiana, Conservadorismos, Educação brasileira, Formação humana, NeoliberalismoResumo
A contemporaneidade é atravessada pela ascensão de ideologias conservadoras e políticas neoliberais que, sob o discurso da ordem, da tradição e da neutralidade técnica, reforçam processos de regressão formativa e obscurecem o potencial emancipatório da educação, configurando um cenário em que a formação humana se vê tensionada entre esclarecimento e barbárie. Nesse contexto, a presente pesquisa justificou-se pela necessidade de problematizar os impactos dos conservadorismos na educação brasileira, analisando de que forma ele se articula à racionalidade neoliberal e contribui para a naturalização das desigualdades, para o fortalecimento do autoritarismo pedagógico e para a conformação de subjetividades adaptadas à lógica dominante. O objetivo geral consistiu em analisar, a partir da Teoria Crítica frankfurtiana, especialmente das contribuições de Theodor W. Adorno, os conservadorismos na educação, considerando tanto o panorama histórico-estrutural quanto a realidade contemporânea brasileira, com ênfase nos processos de (de)formação humana. Desdobraram-se desse propósito três objetivos específicos: conhecer o percurso histórico da Teoria Crítica, dos conservadorismos e da educação brasileira, apreender o itinerário do neoliberalismo e seus impactos nos processos formativos e confrontar as interferências do pensamento conservador, em especial sob a égide neoliberal, na conformação da educação atual. Metodologicamente, trata-se de uma investigação teórica, de caráter bibliográfico, fundamentada no método dialético-crítico, conforme delineado pelos frankfurtianos, que busca apreender as contradições imanentes aos fenômenos educacionais em sua articulação com contextos sociais, políticos, econômicos e culturais mais amplos. O desenvolvimento da pesquisa organizou-se em três partes inter-relacionadas: a primeira abordou a historicidade da Teoria Crítica e dos conservadorismos na educação, a segunda discutiu o neoliberalismo e suas intersecções com o autoritarismo no campo educacional e, finalmente, realizou-se uma análise crítica da educação brasileira contemporânea, tensionando seus limites e possibilidades. Os resultados apontaram para a centralidade da crítica à razão instrumental, ao autoritarismo e à cultura da adaptação, evidenciando como o conservadorismo educacional, em suas diversas expressões, opera na direção da conformidade e da reprodução da ordem social vigente. Ao mesmo tempo, reafirmou-se a pertinência da pedagogia da não identidade, proposta por Adorno, como horizonte teórico-metodológico capaz de resistir à barbárie, promovendo a autonomia subjetiva, a negatividade crítica e a recusa à padronização do pensamento. Concluiu-se que a Teoria Crítica frankfurtiana não apenas fornece instrumentos conceituais para compreender os retrocessos impostos pelos conservadorismos à formação humana, mas também oferece caminhos possíveis para a construção de uma educação comprometida com a emancipação, com a dignidade e com a humanização, capaz de formar sujeitos críticos e eticamente implicados em transformar a realidade social.
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