Tupac Amaru II: resistência e decolonialidade no imaginário da rebelião indígena no Vice-Reino do Peru (1780)
Palavras-chave:
Tupac Amaru II, Mestiçagem, Resistência Indígena, Decolonialidade, Mito InkarriResumo
Este trabalho foi produzido com o objetivo de analisar a Rebelião de Tupac Amaru II (1780 1781) como expressão de resistência indígena frente às Reformas Bourbônicas no Vice-Reino do Peru. Neste sentido, a investigação justifica-se pela necessidade de compreender a atuação dos povos originários não apenas como vítimas do colonialismo, mas como sujeitos históricos dotados de agência política, cultural e religiosa. Assim, ao iluminar a complexidade das dinâmicas de resistência no século XVIII, a pesquisa contribui para a historiografia latino americana e para os debates contemporâneos sobre colonialidade e decolonialidade. Para tanto, a metodologia adotada foi qualitativa, com amplo levantamento bibliográfico e documental que abordam as políticas indigenistas das coroas Habsburgo e Bourbon, além de relatos coloniais e estudos decoloniais. O desenvolvimento do estudo ocorreu em três eixos: análise das políticas indigenistas dos Habsburgos, que, apesar de violentas, admitiam certos direitos e espaços de autonomia indígena; exame das Reformas Bourbônicas, que acirraram a exploração e buscaram eliminar a categoria jurídica do “índio”, impondo o espanhol como língua e transformando propriedades comunais; interpretação da rebelião de Tupac Amaru II à luz de conceitos como “diferença colonial” (Mignolo), “colonialidade do poder” (Quijano) e “mestiçagem”, ressaltando a mobilização de repertórios mítico-religiosos, em especial o mito de Inkarri, como elemento aglutinador e legitimador do movimento. Assim sendo, os resultados revelam que a insurgência não fora um episódio isolado, mas parte de uma ampla ebulição anticolonial andina, conectando-se a outras revoltas, como as de Tomás e Tupac Catari e o movimento Comunero de 1781. A pesquisa demonstra, também, que a ruptura bourbônica com práticas consideradas tradicionais — como a “república de los indios” e o uso do quéchua — foi decisiva para a deflagração do levante. Destaca-se, ainda, o caráter híbrido de José Gabriel Condorcanqui (Tupac Amaru II), que, embora educado em moldes hispânicos, articulou identidades indígenas e europeias, expressando a complexidade da mestiçagem como forma de resistência. Finalmente, conclui-se que a rebelião de Tupac Amaru II é chave para compreender os limites e as possibilidades da resistência indígena em contexto colonial, evidenciando que, mesmo diante de violência e apagamento, os povos
andinos mantiveram estratégias de sobrevivência, negociação e insurgência. Assim, a pesquisa reforça a importância de abordagens decoloniais para reavaliar a história da América Latina e reconhecer os indígenas como agentes centrais na formação de sua própria
trajetória.
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