DETERMINAÇÃO DE COBRE(II) E ANÁLISES FÍSICO-QUÍMICAS EM AMOSTRAS DE CACHAÇA COMERCIALIZADAS NA CIDADE DE GOIÁS
Palavras-chave:
contaminação, bebida alcoólica, qualidadeResumo
O teor de cobre é uma das principais preocupações na produção de cachaça, uma
vez que o metal pode ser liberado dos alambiques durante o processo de destilação.
Em concentrações elevadas, o cobre é considerado tóxico, com risco à saúde do
consumidor e prejuízo à qualidade da bebida. Nesse sentido, este trabalho teve
como objetivo avaliar os níveis de cobre (II) e as características físico-químicas de
cachaças produzidas de forma artesanal e comercializadas em Goiás (GO). Para
tanto, foram coletadas cinco amostras de cachaça (CA01 a CA05), sendo quatro
artesanais e uma de produção comercial. Das amostras artesanais, uma foi
produzida na própria cidade, na região dos assentamentos; duas foram adquiridas
no comércio local, mas têm origem de Itapuranga (GO), onde são produzidas,
rotuladas e vendidas; e a quarta foi obtida em estabelecimento comercial, embora
produzida em Orizona (GO). A amostra comercial foi adquirida em supermercado
local e serviu como parâmetro comparativo. As análises físico-quimicas
contemplaram determinação de pH, teor alcoólico, acidez titulável e resíduo de
evaporação, segundo metodologias padronizadas pelo Instituto Adolfo Lutz. O teor
de cobre foi determinado por espectrometria de absorção atômica. Os resultados
mostraram que a maioria das amostras apresentou teor alcoólico superior ao
declarado nos rótulos, evidenciando a necessidade de maior rigor no controle da
padronização. Os valores de pH variaram entre 4,23 e 6,05, considerados estáveis,
e a acidez titulável manteve-se dentro do limite estabelecido pela Instrução
Normativa nº 13, de 29 de junho de 2005 (150 mg de ácido acético/100 mL de álcool
anidro). Os valores dos resíduos de evaporação e da condutividade variaram entre
as amostras analisadas. Destacam-se, nesse contexto, as amostras CA02 e CA05,
que apresentam os maiores valores de resíduo de evaporação, correspondendo a
1952,25 ± 0,0124 e 600,25 ± 0,0060 mg . 100 mL-1 , respectivamente. A discrepância
entre esses valores e os das demais amostras pode estar relacionada à adição de
açúcar em algumas cachaças, prática comum com o intuito de suavizar o sabor da
bebida. Esse acréscimo pode influenciar não apenas o resíduo de evaporação, mas
também outros parâmetros físico-químicos, como a viscosidade e a percepção
sensorial da cachaça. Em relação ao teor de cobre, verificou-se que duas amostras
artesanais (CA01 e CA03) ultrapassaram o limite de 5 mg·L⁻¹ estabelecido pela
legislação, enquanto as demais se mantiveram dentro do permitido. A amostra CA01
apresentou o valor mais elevado de cobre, aproximadamente 16 ± 0,04 mg.L⁻¹, o
que corresponde a mais de três vezes o limite máximo estabelecido pela legislação.
A amostra CA03 também excedeu o valor permitido, com 7,5 ± 0,03 mg.L⁻¹. Esse
comportamento evidencia a ocorrência de falhas pontuais no processo produtivo. A
contaminação observada em CA01 e CA03 pode estar relacionada à higienização
inadequada dos alambiques, condição que favorece a solubilização do metal e seu
desprendimento para o destilado. Esses resultados destacam a necessidade de
boas práticas de fabricação para garantir a conformidade legal, a segurança do
consumidor e a valorização da cachaça como patrimônio cultural.
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