DO CORTIÇO À FAVELA: RELAÇÕES ENTRE ESPAÇO E RAÇA NA LITERATURA BRASILEIRA

Autores

  • Maria Rita Levy ifg@ifg.edu.br
  • Felipe de Jesus Alves ifg@ifg.edu.br
  • Michele Siqueira ifg@ifg.edu.br

Palavras-chave:

Espaço urbano, Urbanização brasileira, Raça, Literatura brasileira

Resumo

Esta pesquisa buscou realizar uma análise comparativa entre as obras literárias brasileiras “O Cortiço” (1890) de Aluísio de Azevedo, e “Quarto de Despejo” de Carolina Maria de Jesus. Tendo em vista que a literatura é uma das formas artísticas de representação de um povo, estando intimamente ligada ao momento histórico e aos valores sociais em que é produzida, a escolha das referidas obras se deu devido à observação de que essas obras retratam dois momentos singulares e distintos do processo de urbanização no Brasil. “O cortiço” é ambientada no final do século XIX, quando o aparecimento de fábricas e a intensificação da vida nas cidades aconteceu, enquanto “Quarto de Despejo” se passa na segunda metade do século XX, quando São Paulo desponta como um chamariz de imigrantes à procura de empregos no sudeste do país, provocando um processo descontrolado de crescimento desse centro urbano. As obras retratam, cada uma em seu momento histórico, as relações entre a configuração e ocupação do espaço urbano e as relações humanas, permitindo uma reflexão sobre a literatura como objeto de registro, denúncia, interpretação e crítica de estruturas sociais. Neste estudo, procuramos observar principalmente o lugar histórico-geográfico que foi dado ao negro no processo de configuração de duas grandes cidades brasileiras Rio de Janeiro e São Paulo. Nosso objetivo principal foi investigar, sob uma ótica interdisciplinar, as relações entre espaço e raça nas obras analisadas, destacando semelhanças e contrastes entre o cortiço e a favela, bem como de modo esses ambientes moldaram e/ou refletiram as condições de vida de seus moradores. A metodologia de investigação adotada foi a análise comparativa das obras literárias articulada a referenciais históricos, geográficos e sociológicos. Além disso, foram necessárias intersecções entre diferentes saberes, como o geográfico e o histórico, cuja articulação foi fundamental para a análise proposta. A complexidade do tema literário e socioespacial exigiu a abordagem interdisciplinar, contemplando as múltiplas dimensões, vivências e relações com o meio e com a sociedade. À luz das obras, discutimos as intersecções entre espaço urbano e segregação racial no processo de urbanização brasileira. As duas obras abordam dois elementos do espaço urbano brasileiro, o cortiço e a favela, que representam os lugares de exclusão dados a negros, mestiços e imigrantes estrangeiros na história do Brasil. Apesar de apresentarem diferenças estéticas e se inserirem em diferentes tempos e espaços, concluímos que as duas produções literárias ilustram bem os processos de segregação social a partir da ocupação do espaço a partir de práticas higienistas que ainda permanecem atuais, demonstrando assim a relevância para a compreensão tanto do meio literário quanto para a reflexão sobre o processo de exclusão histórico-geográfica da população negra.

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Publicado

2026-02-13

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