PERSONAGENS FEMININAS NEGRAS NO MODERNISMO BRASILEIRO: um estudo sobre “Clara dos anjos” de Lima Barreto e “Gabriela, cravo e canela” de Jorge Amado
Palavras-chave:
Personagens femininas negras, Modernismo, Lima Barreto, Jorge AmadoResumo
Protagonistas femininas são bem comuns na literatura brasileira. Podemos observar, nos períodos árcade e romântico, um grande número de personagens brancas, belas, virtuosas e idealizadas na literatura nacional. São as mocinhas burguesas ou herdeiras da aristocracia brasileira. No romantismo, protagonistas indígenas começam a aparecer, tais como Iracema, mas o padrão de feminilidade na literatura permanece branco, sendo Iracema uma indígena idealizada e embranquecida. Nas literaturas romântica e realista vemos aparecer as primeiras personagens negras principalmente sob a forma de mulheres trabalhadoras, de classe baixa, a maioria mais velhas, e que prestam serviços de cuidado na casa de brancos. Contudo, o modernismo vem como um movimento que faz promessas de trazer o que há de verdadeiramente brasileiro em termos estéticos e temáticos para a literatura nacional. Diante disso, qual seria a representação das mulheres, especialmente, das mulheres negras nesse período literário que busca identidade nacional em um país cujas raízes identitárias estão nos povos originários, nos colonizadores brancos e nos negros escravizados vindos do continente africano? Essa é a pergunta que motivou esta pesquisa. Esta apresentação traz os principais resultados de pesquisa que teve como objetivo principal observar as representações de personagens femininas negras na literatura modernista brasileira. As obras modernistas investigadas foram: "Clara dos anjos”, do autor Lima Barreto e “Gabriela, cravo e canela”, do autor Jorge Amado. Tratou-se de uma pesquisa comparativa entre as obras aliada à pesquisa bibliográfica sobre o tema. A partir do estudo e análise feitas, foi possível perceber que as protagonistas das duas obras são apresentadas de maneira diferentes, mas ainda sob estereótipos de gênero e raça bem comuns na realidade brasileira como: o da mulher negra infantilizada e vitimizada e o da mulher negra sensualizada e tratada como objeto sexual. Tais estereótipos foram analisados também sob à luz da posição de raça e classe dos autores estudados, tendo Lima Barreto, autor negro, uma representação da mulher negra mais de dentro dos conflitos de raça e gênero, enquanto Jorge Amado, autor branco, apresenta Gabriela sob uma perspectiva de fora da classe negra e do gênero feminino, idealizando a posição de objeto sexual da protagonista mulata.
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