PATRIMÔNIOS SENSÍVEIS: MEMÓRIA E IDENTIDADE NA RESSIGNIFICAÇÃO DE ESPAÇOS DE OPRESSÃO EM EXPRESSÃO CULTURAL (CENTRO CULTURAL MARTIM CERERÊ)

Autores

  • Kaliagna Azevedo ifg@ifg.edu.br
  • Dianina Rabelo ifg@ifg.edu.br

Palavras-chave:

Patrimônios sensíveis, memória, ressignificação, Centro Cultural Martim Cererê, Ditadura Militar

Resumo

O presente trabalho analisa a ressignificação de patrimônios sensíveis, com ênfase no Centro Cultural Martim Cererê, em Goiânia, espaço originalmente marcado pela opressão durante a Ditadura Militar e, posteriormente, convertido em lugar de expressão cultural. A pesquisa parte da compreensão de que patrimônios sensíveis correspondem a locais atravessados por memórias e experiências traumáticas, mas que, ao serem ressignificados, tornam-se instrumentos de reflexão crítica e memória coletiva. A investigação foi desenvolvida a partir de uma abordagem qualitativa, bibliográfica e documental, mobilizando relatos presentes em Memórias Transcritas: depoimentos (2013), registros históricos e documentos do IPHAN. Foram considerados, ainda, referenciais teóricos de autores como Maurice Halbwachs, Pierre Nora, Paul Ricoeur e Cristina Meneguello, que discutem os conceitos de memória coletiva,
lugares de memória, dever de memória e patrimônios difíceis. A partir desse diálogo, buscou-se compreender como a ressignificação do Martim Cererê opera na disputa simbólica entre o esquecimento imposto pelas narrativas oficiais e o direito à memória das vítimas da repressão. Os resultados apontam que a transformação do espaço, caixas d’água utilizadas para encarceramento e tortura para centro cultural, representa não apenas uma mudança arquitetônica, mas sobretudo política e simbólica. O Martim Cererê, ao abrigar
manifestações artísticas de grupos marginalizados, movimentos sociais e coletivos diversos, converte-se em lugar de memória e resistência, promovendo novas formas de pertencimento e reconhecimento identitário. A análise demonstra, ainda, que os
patrimônios sensíveis ocupam protagonismos na construção de narrativas de reparação e inclusão, pois dão visibilidade às vozes silenciadas, fortalecem a identidade coletiva e ampliam o debate público sobre justiça social e democracia. Desse modo, o estudo reafirma que a preservação e ressignificação de espaços traumáticos não devem restringir-se à memória do passado, mas projetar-se como compromisso ético com o presente e com as gerações futuras. Ao articular passado, presente e futuro, o espaço se afirma como campo de disputas simbólicas e de resistência cultural, revelando a potência dos patrimônios sensíveis como mediadores entre história, identidade e justiça social.

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Publicado

2026-02-13

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