v. 3 n. 1 (2022): Incomum Revista

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EDITORIAL

É com grande satisfação que a Incomum Revista, publicação do Programa de Pós-Graduação Profissional em Artes (PROFARTES) do Instituto Federal de Goiás, apresenta o volume 3, número 1, de 2022. Esta edição reúne produções que expressam, com vigor e sensibilidade, a pluralidade de vozes, corpos e experiências que constituem o campo da arte, da educação e da cultura no Brasil contemporâneo. Os trabalhos aqui reunidos atravessam fronteiras disciplinares e convidam o leitor a um mergulho nas tessituras do ser artista, do ser educador e do ser sujeito em constante processo de constituição.

A escrita performativa de Fernanda Cougo Mendonça abre esta edição com uma narrativa de si que se faz canção, fragmentada, polifônica, resistente à linearidade. Em "Breve canção: rememorações e porvir em uma possível e contínua composição de mim", a autora convoca musas e griotes para ordenar, por meio da linguagem, o caos criativo e afetivo de uma trajetória que entrelaça arte, educação, oralidade amazônica e encantamento. A narrativa autobiográfica emerge como epistemologia: conhecer-se é também uma forma de conhecer o mundo.

Na mesma direção investigativa, porém voltando o olhar para os territórios digitais, Silvia Carla Marques Costa e Welliton Quaresma de Lima nos conduzem por um mergulho netnográfico nas narrativas existenciais de pessoas surdas. O artigo problematiza como as imagens, compreendidas aqui não como mero suporte pictórico, mas como fenômenos polissêmicos e pensantes, participam da construção de identidades, da resistência ao estigma ouvintista e da afirmação de subjetividades surdas nas redes sociais. As imagens se revelam pontes entre mundos, linguagens entre silêncios.

Completando este número, as anotações de artista de Marcelo Calderari Miguel, "Ser e o sabor das nanicas paixões", oferecem ao leitor três poemas que transitam entre a cor e o símbolo, a denúncia e a delicadeza, a receita e a resistência. Numa linguagem inventiva, o autor embaralha gêneros e registros para afirmar que a arte cabe em tudo, e que o encantamento, como bem nos lembrou Manoel de Barros, é a única medida possível para o que verdadeiramente importa.

Os três trabalhos, cada um a seu modo, dialogam com questões caras ao PROFARTES: as narrativas de si como prática pedagógica e artística, a potência das imagens na constituição de identidades marginalizadas, e a escrita como ato de existência e de criação. Este número da Incomum Revista é, assim, um convite ao encontro, entre saberes, entre culturas, entre oralidades e visualidades, entre o "ou" e o "e" de que nos fala a estética da diáspora. Que cada texto aqui reunido ecoe, em quem lê, o encanto e a inquietação que movem todo fazer artístico.

Boa leitura.

Equipe Editorial Incomum Revista

Publicado: 2026-06-23

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