v. 1 n. 2 (2020): Incomum Revista

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APRESENTAÇÃO

A Incomum Revista chega ao seu segundo número trazendo um conjunto de textos que, em sua diversidade de formas e perspectivas, convergem para uma questão central: a arte como lugar de resistência, pensamento e transformação. Os trabalhos aqui reunidos emergem de práticas situadas na sala de aula, no hospício convertido em museu, na tela do computador durante uma pandemia, nas ruas de uma cidade imaginada por crianças , e é precisamente essa ancoragem no concreto que confere ao conjunto sua força e relevância.

O relato de experiência "Cidades Reinventadas" abre o volume apresentando uma prática pedagógica decolonial no Ensino Fundamental, em que professoras de artes visuais e teatro do CAp-UERJ propõem aos estudantes que reinventem a cidade como gesto político e estético, tensionando a Matriz Colonial de Poder que atravessa os currículos. Na mesma direção, o relato "Aulas de Dança em Tempos de Pandemia" narra o processo de uma professora-artista que, diante do isolamento social, reinventou sua presença e suas estratégias de ensino, revelando que a docência em dança é, antes de tudo, um exercício de existência.

O ensaio sobre a poética de Arthur Bispo do Rosário propõe uma reflexão sobre os limites e as hierarquias que separam arte erudita de arte popular, questionando os critérios pelos quais certas obras e certos artistas são reconhecidos ou apagados. Essa discussão ecoa no artigo sobre a Teoria Histórico-Cultural de Vigotski, que situa a arte como instrumento privilegiado de desenvolvimento humano, capaz de ampliar as funções psicológicas superiores e promover experiências estéticas que não são privilégio de poucos, mas direito de todos. O artigo sobre o romance A Festa, de Ivan Ângelo, articula literatura e história ao examinar como a ficção brasileira dos anos 1970 tentou compreender, pela forma fragmentada do romance, os cortes produzidos pela ditadura civil-militar e os impasses da intelectualidade progressista diante da violência de Estado.

Por fim, o artigo "Corpo em Estado de Dança" percorre os caminhos da filosofia, da decolonialidade e da dança para propor o corpo em movimento como estratégia de dissenso frente às epistemologias que imobilizam a existência. Em conjunto, os seis textos desta edição testemunham que arte e educação são campos intrinsecamente políticos, e que a pesquisa em artes, sobretudo aquela produzida no contexto da pós-graduação profissional, tem muito a dizer sobre os modos como ensinamos, criamos e habitamos o mundo.

Desejamos a todas e todos uma leitura incomum.

Equipe Editorial Incomum Revista

Publicado: 2026-06-23