PLANTAS MEDICINAIS: REPRESENTAÇÕES E PERCEPÇÕES DE ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO E SUA RELAÇÃO COM O SABER CIENTÍFICO
Palavras-chave:
plantas medicinais, saber popular, conhecimento científico, ensino médio, percepção ambientalResumo
O presente trabalho apresenta os resultados da pesquisa intitulada “Plantas medicinais: a representação e percepção dos estudantes a respeito do tema e sua correlação com o saber científico”, desenvolvida no Instituto Federal de Goiás – Câmpus Luziânia. O estudo teve como objetivo analisar como estudantes do ensino médio percebem e utilizam as plantas medicinais, investigando suas representações, formas de uso e principais fontes de conhecimento. A metodologia adotada consistiu na aplicação de questionários semiestruturados, cujas respostas foram submetidas à análise qualitativa. Os resultados revelaram que espécies como camomila, boldo, hortelã, alecrim e babosa foram as mais citadas, sendo utilizadas predominantemente na forma de chás para o tratamento de desconfortos comuns, como dores estomacais, resfriados e quadros de ansiedade. Identificouse que a família, sobretudo avós e parentes mais velhos, constitui a principal fonte de transmissão de saberes relacionados ao uso das plantas medicinais. A discussão evidencia a relevância desse conhecimento tradicional e sua forte presença na cultura local, ao mesmo tempo em que destaca a necessidade de articulação com a ciência para garantir a validação e o uso seguro das espécies. A pesquisa contemplou ainda uma etapa experimental de caráter prático-laboratorial, voltada ao processo de extração e identificação qualitativa de compostos bioativos de plantas medicinais. Essa etapa envolveu a preparação de amostras vegetais secas, a realização de extração com etanol, seguida de processos de filtração, concentração e destilação, resultando em extratos brutos e secos livres de solventes, posteriormente submetidos a análises com ácidos para investigação de metabólitos secundários. O estágio possibilitou a aplicação de técnicas clássicas de fitoquímica, permitindo não apenas a
aproximação dos estudantes com métodos científicos de extração e purificação, mas também a compreensão de como tais práticas dialogam com os usos tradicionais. Conclui-se que a pesquisa contribui significativamente para a compreensão da interface entre saber popular e conhecimento científico, ressaltando a importância pedagógica de inserir a temática das plantas medicinais no ensino médio como estratégia de valorização cultural, promoção da criticidade e aproximação dos estudantes com práticas investigativas e científicas.
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