ESTUDO, SÍNTESE E APLICAÇÃO DO BIOCHAR A PARTIR DE BIOMASSA DE RESTO DE ALIMENTOS PARA ADSORÇÃO DE NUTRIENTES NO SOLO

Autores

  • Ana Júlia Fernandes Ribeiro ifg@ifg.edu.br
  • Eva Jerônimo Santana ifg@ifg.edu.br
  • Leonardo François de Oliveira ifg@ifg.edu.br

Palavras-chave:

Biochar, biomassa, borra de café

Resumo

O projeto foi desenvolvido na utilização da borra de café como material precursor da obtenção de biochar por pirólise controlada a 400 °C por 2 h, após ensaios preliminares que indicaram incineração a 600 °C/2 h e carvão instável a 400–500 °C/1 h; em seguida, realizou-se ativação química em mufla a 400 °C/2 h com soluções de ZnCl2 e SnCl2, preparação de soluções-padrão (NaOH 0,05 mol L−1 e HCl 0,12 mol L−1), e caracterizações físico-químicas: pH em água e CaCl2, capacidade de troca iônica por titulação ácido-base (triplicata), difratometria de raios X e microscopia eletrônica de varredura para verificação das alterações morfológicas associadas às modificações superficiais. Para o ensaio de aplicação, organizaram-se sete recipientes: solo controle (sem biochar) e triplicatas com 1 g de biochar ativado (ZnCl2 ou SnCl2) misturado a ~75 g de solo, com semeadura de feijão e acompanhamento por 30 dias. Os resultados indicaram biochars ácidos, com pH mais baixo nas suspensões em água que em CaCl2; a Capacidade de Troca Iônica foi moderada e próxima entre os materiais (SnCl2 = 1,250 mmol g−1; ZnCl2 = 1,226 mmol g−1), sugerindo disponibilidade semelhante de sítios ativos para trocas iônicas. No solo, mediu-se pH médio ~4,6 (caráter ácido), fator potencialmente limitante à disponibilidade de nutrientes e ao crescimento vegetal. No teste de plantio, apenas o controle apresentou germinação e desenvolvimento; as amostras com biochar não brotaram, apesar do intumescimento das sementes, indicando que a acidez do material, a possível presença de resíduos iônicos remanescentes da ativação (Zn2+/Sn2+) e a adsorção competitiva de nutrientes pelo biochar podem ter reduzido a disponibilidade nutricional e/ou imposto estresse químico às mudas. Conclui-se que o biochar obtido apresenta propriedades compatíveis com adsorventes de base lignocelulósica e potencial para processos de retenção/remoção no solo; contudo, sua aplicação direta em substratos agrícolas requer ajustes de processo e de uso (lavagem/neutralização pós-ativação, correção de pH do solo, doses e tempos de condicionamento, coaplicação com corretivos/compostos orgânicos), além de estudos comparativos com hidrocarbonização, visando maximizar benefícios agronômicos e minimizar efeitos fitotóxicos.

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Publicado

2026-02-13

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