A invenção do Novo Mundo em De Orbe Novo (1511) de Pedro Mártir de Anglería: a América como conceito essencial para a modernidade

Autores

  • Lethycia Jacinto ifg@ifg.edu.br
  • Rafael Gonçalves Borges ifg@ifg.edu.br

Palavras-chave:

América, Modernidade, Colonialidade, Pedro Mártir

Resumo

Este trabalho apresenta os resultados da pesquisa desenvolvida no a mbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) do Instituto Federal de Goiaá, tendo como objeto a obra De Orbe Novo, de Pedro Mártir de Anglería, escrita entre os anos de 1493 e 1526. A investigação centrou-se especialmente na Segunda De cada da obra, publicada na edição da Biblioteca Castro (2004), por se tratar de um momento mais sistemático e discursivamente estruturado do autor. O projeto teve início com a proposta de analisar como a figura do indígena, descoberta durante os primeiros contatos entre Europa e América, impactou a religiosidade católica e as representaçoões religiosas da alteridade. A hipótese inicial era a de que os relatos de cronistas do século XVI revelavam uma transformação significativa na teologia e nas práticas religiosas europeias diante da experiência americana. No entanto, a escassez de fontes primárias e a inexistência de estudos consistentes diretamente ligados a essa abordagem exigiram a reformulação do eixo temático e teórico do projeto. Em vez de manter o foco restrito a dimensão religiosa, a pesquisa passou a investigar a maneira como o discurso europeu, ao nomear a América como “Novo Mundo”, operou uma reconfiguração conceitual do tempo, da história e da geografia. A nova abordagem foi sustentada por dois pilares teo ricos: a História dos Conceitos, conforme elaborada por Reinhart Koselleck, e o pensamento decolonial, representado por autores como Enrique Dussel e Serge Gruzinski. A História dos Conceitos permitiu compreender como certas palavras e categorias, como “Novo Mundo”, adquirem densidade histórica ao se tornarem operadores semânticos de novas experiências temporais. Já a crítica decolonial oferece instrumentos para problematizar o modo como a América foi representada como espaço vazio, apto a ocupação simbólica, epistêmica e territorial pelo imagina rio europeu moderno. A metodologia utilizada baseou-se na análise  hermenêutica e conceitual de trechos selecionados da Segunda De cada, buscando entender na o apenas o conteúdo descritivo da narrativa, mas também os pressupostos epistemológicos que estruturam sua linguagem. Os resultados obtidos demonstram que Pedro Mártir de Anglería não foi um mero cronista de eventos, mas um formulador de um novo regime discursivo. Em suas epístolas, a América aparece como espaço inaugural de um  novo tempo histórico, rompendo com a tradiça o cronológica bíblica e com os paradigmas medievais. O “Novo Mundo” não é apenas uma nova porção do globo, mas um conceito estruturante da modernidade, que permite repensar o passado e projetar um futuro em chave expansionista, civilizatória e europeia. Nesse sentido, De Orbe Novo na o e apenas um registro documental das navegações, mas um dispositivo simbólico que participa ativamente da invenção da América enquanto fundamento epistêmico da modernidade ocidental. A pesquisa conclui, portanto, que compreender os elementos conceituais dessa narrativa e essencial para pensar criticamente a formaça o do pensamento moderno e sua vinculação com os processos de colonização, dominação e produção do saber europeu.

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Publicado

2026-02-13

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