AS RELAÇÕES ENTRE A SÉRIE DE TV “CIDADE DOS HOMENS” E O DEBATE ACERCA DA IMPLEMENTAÇÃO DE COTAS RACIAIS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS

Autores

  • Camila Gonçalves Araújo ifg@ifg.edu.br
  • Yangley Adriano Marinho ifg@ifg.edu.br

Palavras-chave:

Cotas Raciais, Série de TV, Cidade dos Homens

Resumo

A pesquisa se propôs a investigar as relações entre o debate sobre cotas raciais e a primeira temporada da série Cidade dos Homens (2002), tendo como foco o quarto e último episódio intitulado Uólace e João Victor. A hipótese que procuramos sustentar é a de que, no referido episódio, o qual apresenta um dia na vida de dois garotos — um deles negro, pobre e morador de uma favela no Rio de Janeiro, e o outro, branco, de classe média baixa, morador de um condomínio vizinho — a rede de televisão Globo, uma das produtoras da série, lançando mão de diversos elementos retóricos e imagéticos, posiciona-se contrariamente às cotas raciais em universidades públicas brasileiras. Procuramos demonstrar esse posicionamento da TV Globo, indicando como o mesmo estava profundamente relacionado com alguns dos editoriais do jornal O Globo, assim como com o livro Não somos racistas: uma reação aos que querem nos transformar numa nação bicolor, de Ali Kamel, à época diretor-executivo de jornalismo da emissora. Ambas produções notoriamente avessas à implementação de cotas nas Instituições de Ensino Superior Públicas do país. A metodologia adotada incluiu revisão bibliográfica e análise do episódio à luz da relação entre história e fontes audiovisuais. A lida com essa fonte nos impôs a necessidade de direcionarmos algumas perguntas mais apropriadas à sua tipologia, tais como: o que o episódio diz e como diz? Como o episódio representa, por meio dos seus personagens, os papéis sociais que identificam as hierarquias e lugares na sociedade representada? Quais os tipos de conflitos sociais descritos no roteiro? Quais as maneiras como aparecem a organização social, as hierarquias e instituições sociais; como se dá a seleção de fatos, eventos, tipos e lugares sociais encenados? Com o desenvolvimento da pesquisa pudemos compreender de forma mais ampla o debate não apenas no que se refere às políticas de Ações Afirmativas, mas também sobre como opera o racismo e os racistas no Brasil, sempre negando sua existência e, invariavelmente, protegendo privilégios e perpetuando desigualdades.

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Publicado

2026-02-13

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