Parâmetros químicos de latossolo vermelho distrófico e de lodo de esgoto doméstico

Autores

  • Georgia Ribeiro Silveira de Sant’Ana Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange, Anápolis, Goiás/Jardim Botânico de Goiânia, Goiás
  • Carlos Eduardo Ramos de Sant’Ana Universidade Federal de Goiás (UFG)
  • Humberto Flaider Araújo Mendes Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange, Anápolis, Goiás

Palavras-chave:

Qualidade do Solo, Cerrado, Adubo Orgânico

Resumo

O solo é essencial para o desenvolvimento da vida humana, uma vez que é ele que suporta os vegetais, dos quais a humanidade depende direta ou indiretamente. A qualidade do solo é uma temática amplamente discutida na literatura, principalmente no que diz respeito à sua definição e ao conjunto de atributos que podem mensurá-la. A fim de auxiliar tal qualidade, pode-se tratar o lodo de esgoto doméstico e processá-lo de modo que ele obtenha características adequadas para o uso agrícola de maneira ambientalmente segura. Assim, o presente trabalho teve por objetivo caracterizar as propriedades químicas do lodo de esgoto com ou sem tratamento e do solo (Latossolo vermelho distrófico) comparando-os e verificando a qualidade de ambos. Foram coletadas amostras de solo no Cerrado e amostras de lodo na estação de tratamento de esgoto. As amostras de lodo foram analisadas puras (sem tratamento) e com 60% de Cal (com tratamento). As análises químicas foram realizadas de acordo com a metodologia da Embrapa Solos: condutividade, pH, Zinco, Cobre, Chumbo, Sódio, Potássio, Magnésio, Fósforo total, Nitrogênio total, Ferro e Cálcio. Os resultados foram comparados e analisados. A Cal influenciou as propriedades químicas do lodo. Os valores do solo se mostraram bem próximos ao do lodo sem tratamento. Este estudo demonstrou alternativas seguras para o descarte do lodo, após ser tratado e processado. As unidades das estações de tratamento de esgoto precisam adequar os processos de tratamento (estabilização, remoção de umidade e higienização), garantindo a qualidade do produto e a segurança no reuso, a fim de produzir biossólidos viáveis para a agricultura.

Biografia do Autor

Georgia Ribeiro Silveira de Sant’Ana, Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange, Anápolis, Goiás/Jardim Botânico de Goiânia, Goiás

Possui Graduação em Biologia, Técnica em química, Pós-graduação em Ecologia pela Universidade Católica de Brasília (UCG-Brasília, DF), Mestrado em Geografia pelo Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) da Universidade Federal de Goiás (UFG) e é Doutora em Ciências Ambientais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). É Professora da Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange, Anápolis, Goiás, bióloga efetiva do Jardim Botânico de Goiânia (Agência Municipal de Meio Ambiente-AMMA, Goiânia, Goiás). Tem experiência na área de Ecologia e Meio Ambiente, Plano de Recuperação Ambiental em Área Degradada (PRAD), Gerenciamento e Manejo de Áreas de Conservação, florestas, Planejamento Ambiental, Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS), atuando principalmente nos seguintes temas: conservação da biota de solos e água, Resíduos Sólidos, planos de manejo em unidades de conservação, planejamento urbano e territorial, educação ambiental e recuperação de áreas degradadas. Atua também na área de microbiologia de solo e água (meio ambiente), tanto no ensino, como na pesquisa; identificação de zooplancton e bioquímica ambiental no solo e na água, em áreas urbanas e agrícolas.

Carlos Eduardo Ramos de Sant’Ana, Universidade Federal de Goiás (UFG)

Professor efetivo (Associado) da Universidade Federal de Goiás (UFG) - Instituto de Estudos Socioambientais (IESA-UFG). Bacharel e Licenciado em Biologia pela Universidade de Brasília (UnB), Mestre em Biologia (Biologia/Ecologia) pela Universidade Federal de Goiás e Doutor em Biologia Animal pela Universidade de Brasília. Coordenador do Núcleo de Biodiversidade e Biogeografia (LABIO) do IESA/UFG. Ex-membro Titular do Conselho Superior da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG) e Ex-membro Titular da Comissão Técnica de Acompanhamento da Avaliação (CTAA/INEP/MEC). Avaliador de Cursos pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (INEP-SINAES-MEC) e pelo Conselho Estadual de Educação do Estado de Goiás (CEE-GO). Desenvolve atividades e/ou projetos nas áreas ambiental, computacional e de fotografia, com parcerias em diversas instituições.

Humberto Flaider Araújo Mendes, Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange, Anápolis, Goiás

Possui graduação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Universidade Norte do Paraná (2010). Pós Graduando em Desenvolvimento Para Aplicação WEB pela Universidade Norte do Paraná (2014). Graduando em Tecnologia em Processos Químicos pela Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange.

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Publicado

28.12.2018

Como Citar

Ribeiro Silveira de Sant’Ana, G., Eduardo Ramos de Sant’Ana, C., & Flaider Araújo Mendes, H. (2018). Parâmetros químicos de latossolo vermelho distrófico e de lodo de esgoto doméstico. Revista Tecnia, 3(2), 195–210. Recuperado de https://periodicos.ifg.edu.br/tecnia/article/view/921

Edição

Seção

Ciências Exatas e da Terra