Ícaro, Dédalo e a Sociedade do Excesso: ética, prudência e regulação no capitalismo tecnológico
DOI:
10.56762/tecnia.v11i1.2319Palavras-chave:
sociedade, tecnologia, prudência, ética, liberdadeResumo
Este artigo propõe uma leitura simbólica da sociedade contemporânea com base na metáfora mitológica de Ícaro e Dédalo. Ícaro representa a vertigem do excesso, alimentada pelo desejo ilimitado do capital e da tecnologia; Dédalo, por sua vez, simboliza o engenho técnico e os Estados modernos, que constroem os meios mas falham em impor limites éticos. A análise articula referências filosóficas e críticas (Benjamin, Anders, Han, Foucault e Ricoeur) para discutir o risco da hiperliberdade tecnológica desacompanhada de prudência regulatória. Propõe-se, ao fim, uma retomada ética da prudência como elemento estrutural da política e da técnica, sugerindo que a escuta (representada simbolicamente por Ariadne) possa ser um novo paradigma de regulação empática.
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